Com muito amor …

Ano passado a população brasileira clamou por mudanças. Milhares de pessoas saíram às ruas em protesto por um país mais justo e igualitário, com menos corrupção e mais justiça social.

As eleições para Presidente, Senador, Governador, Deputado Federal e Deputado Distrital (aqui em Brasília) encerraram-se ontem (salvo para Presidente e Governador, casos nos quais haverá segundo turno). O que se apreende hoje é que o anseio de mudança da população brasileira parece ter se dado no sentido de um retrocesso.

Elegemos Deputados Federais com visão e discurso reacionário; muitos destes foram eleitos sendo campeões de votos em seus Estados (casos de Fraga em Brasília, Russomano e Feliciano em São Paulo e Bolsonaro no Rio, só para citar alguns). Mas o que faz a população votar nestes nomes? Pois muitos destes, com seu discurso de ódio e intolerância, assemelham-se mais aos tempos nebulosos da Ditadura Militar do que a Democracia. Pregam intolerância a homossexuais, defendem o discurso hipócrita da família tradicional, redução da maioridade penal e outros temas que apenas fomentam ódio e discriminação às minorias. E num contexto mais amplo, a candidatura de Aécio Neves toma fôlego e na reta final parece verdadeiramente ameaçar a candidatura de Dilma Roussef, candidata do PT à reeleição. É o discurso neoliberal avançando sobre o discurso social, o modelo que foca o capital avançando sobre o modelo que foca nas pessoas.

O comportamento do eleitorado nas urnas ressalta uma tendência deste em se tornar cada vez mais conservador, fechado a propostas de mudanças reais, de abertura ao diálogo, de tolerância e respeito ao diferente, ao “outro”, aos Direitos Humanos enquanto direitos fundamentais do ser humano. O eleitorado brasileiro não se desenvolveu, não ampliou seu espírito ao ponto de vislumbrar que o cuidado ao outro deve ser a essência da boa política.

E de quem é a culpa? Retornemos ao ano de 2013. Ano de protestos e de mobilizações em que milhares de pessoas foram às ruas em clamor por um país mais justo e igualitário, com menos corrupção e mais justiça social. A mídia ficou chocada, o governo ficou chocado, grande parte da população brasileira e até mundial ficou chocada, haja visto que o comportamento apresentado até então por grande parte dos brasileiros foi sempre de passividade e moderação, de levar com o “jeitinho brasileiro” as dificuldades da vida. Protestos e manifestações em larga escala como os ocorridos até então não faziam parte do script. Não eram esperados.

A presidenta Dilma, de histórico guerrilheiro, de um partido acostumado a greves e reivindicações, ao invés de legitimar as atitudes do povo e reconhecer nestes o exemplo de Democracia que muitas vezes almejamos e poucas vezes (raramente!) vivenciamos, preferiu dar “carta branca” à repressão dos meios de comunicação e do aparato policial. Preferiu mortificar o ânimo dos manifestantes com cassetetes, bombas e spray. Perdeu assim a legitimidade que poderia ter alcançado se tivesse ouvido a população brasileira e se aliado a ela no “despertar do gigante adormecido”. O PT vendeu a alma ao diabo com medo de perder o poder, preferindo mantê-lo a todo custo. Perdeu a oportunidade de ser porta-voz das mudanças solicitadas pela população; perdeu a oportunidade de dar uma grande lição de democracia ao povo brasileiro e ao mundo; agora corre o risco de ser vítima da deturpação que a mídia provocou destes mesmos anseios. O desejo de mudanças tomou contornos irracionais, e, para o bem ou para o mal, deseja-se mudar.

Triste panorama gerado pela ingerência equivocada em um momento crucial da História. Prova de que ações descuidadas geram um grande mal, voltando-se contra si mesmas. E quanto maior a responsabilidade, quanto maior o impacto gerado, atingindo mais pessoas, maiores serão os danos. Desta vez, a população brasileira poderá ser a afetada, carregando em si as cicatrizes inconscientes dos traumas ocorridos durante sua tentativa frustrada de desenvolver-se.

Copa do Brazil (III)

Ainda tem pessoas fazendo festa pela “seleção brasileira” na Copa. Ainda tem jornalistas dizendo que os jogos da Copa são “os mais emocionantes da história das Copas”. Ainda tem ruas pintadas em festa pelo Brasil. Ainda

 
Há pessoas despejadas. Há pessoas fazendo festa. Há pessoas agredidas em manifestação. Há uma cobertura que prioriza a festa em detrimento da realidade brasileira. Há

 
Copa do mundo. Copa da farsa. Copa da manipulação da mídia. Copa de prisões ilegais. Copa de violência contra manifestantes. Copa vendida pela FIFA e comprada a peso de ouro pelo Brasil. Copa!


(O principal legado que essa Copa deixará não será nos aeroportos, nem nos estádios faraônicos, nem nas (poucas) obras de infra-estrutura. O principal legado da Copa se fará na história, não a que a mídia vende como a história oficial, mas a que será e está sendo escrita nas manifestações, na repressão, na violência e na mídia alternativa. 
Uma gota não enche um vaso. No entanto, o contínuo gotejar encherá e transbordará o vaso. Da mesma forma, as manifestações, os posts de facebook, os posts em blogs, os vídeos em youtube, podem parecer irrisórios, mas constituirão no futuro fundamental acervo de referência da realidade que foi a Copa de 2014).

Ainda há Copa!

Copa do Brazil (II)

A manipulação que a grande mídia faz dos fatos relativos ao momento atual que vivemos (e quando me refiro à grande mídia dirijo-me em particular à Globo) é espantosa. O Jornal Nacional, em suas veiculações relativas à greve dos transportes em São Paulo e no Rio, por exemplo, tem sempre a perspectiva dos usuários dos transportes e suas dificuldades para ir trabalhar, mas nunca dos trabalhadores em greve, numa parcialidade indigna do verdadeiro jornalismo, mas corriqueiro na história dessa emissora que sempre primou em mostrar apenas o lado que lhe interessa, como na disputa presidencial entre Collor e Lula quando a emissora tomou descaradamente partido em favor de Collor, e ainda nas manifestações do ano passado (2013), quando manipulou as notícias sobre as manifestações de forma a parecer que só haviam “vândalos” nas manifestações e, conseqüentemente, todos ali presentes eram “vândalos”.

Ando muito a pé. Gosto de deixar meu carro na garagem de vez em quando e ir até a parada de ônibus pegar a lotação e ir ao trabalho. Vejo as ruas e constato que, a apenas três dias do início da Copa, a realidade é muito diferente da veiculada nos jornais da Globo que tenho “assistido” (DFTV, Globo Esporte, Jornal Hoje e Jornal Nacional). Os jornalistas desta emissora vendem a imagem de um país que comprou a idéia da Copa, que está animado, pintando as ruas, colocando bandeirinhas nos carros, num ufanismo patriótico bonito e digno de ser exaltado. Quando narram a “grande expectativa da população” pelo início da Copa, os jornalistas da Globo o fazem sempre com um grande sorriso no rosto, em uma clara demonstração de aprovação pela atitude da população em apoiar a “Seleção Brasileira”. Esses são os mesmos jornalistas que faziam cara feia, cara de azia e nojo quando noticiavam as manifestações do ano passado, em clara demonstração de repúdio às manifestações, e novamente, situação condizente com a história da Globo de apoio à Ditadura e de manipulação das massas sempre visando interesses próprios. Andando pelas ruas, não as vejo tão pintadas como em Copas anteriores. Hoje, o povo não comprou a Copa como a Globo gostaria nem está tão animado com ela como a Globo quer fazer parecer.

A apenas três dias da Copa, receio que muita coisa pode mudar. Receio que o povo vá se esquecer de tudo pelo que lutou e se render ao ataque midiático de apoio à “Seleção Brasileira” acima de tudo. “Brasil, ame-o ou deixe-o!” foi o lema da ditadura militar. Naquela época, a Copa de 1970 teve um efeito nefasto sobre a história brasileira. Hoje, a Copa de 2014 pode traçar os rumos da história brasileira, para o bem ou para o mal.

Copa do Brazil (I)

O Brasil está em um momento de profunda efervescência política. E a grande ironia disso é que um dos fatores responsáveis por toda a excitação que tem tomado conta das ruas é o futebol, logo ele, tão marginalizado pelos intelectuais de plantão. O futebol tem sido fonte de profundo descontentamento por parte da população e este tem sido expresso no mote “Não vai ter Copa”.

O povo brasileiro quer a Copa? Provavelmente sim, mas que esta tivesse vindo acompanhada de melhorias para a população, de um planejamento mais eficiente, de menos corrupção. Da forma como está sendo conduzida, é visível que o povo brasileiro está sendo lesado através dos gastos excessivos na construção de estádios faraônicos.

O povo brasileiro não quer a Copa? Provavelmente sim, e é o que vemos nos protestos que tem se intensificado nas redes sociais e começado a aparecer nas ruas. O grito de “Não vai ter Copa” tem se intensificado e tem incomodado os governantes. Estes tem respondido através da polícia e da ação ostensiva desta, na forma de um “Calem a boca!” aos protestos. Pode até ser uma forma eficiente de resolver a situação a curto prazo, mas a longo prazo, a história se encarregará de dizer. Com certeza esses protestantes de hoje são muito diferentes da geração cara-pintada permitida e apoiada pela mídia; os protestantes de hoje são marginalizados e perseguidos por essa mesma mídia.

É chegado o momento de profunda reflexão e demanda de tomada de posicionamento ao povo brasileiro; quais os rumos serão tomados ainda são de difícil previsão, bem como os impactos que estes terão para as presentes e futuras gerações. Tomar posicionamento é não se abster de escolher e não deixar que outros escolham por si.

Veganismo

Gostaria de expor MINHA VISÃO PESSOAL a respeito do que é o veganismo. Quem discordar, favor, apresentar capítulo e versículo da Bíblia do Veganismo onde está evidenciado meu engano. 

Alerto também que o texto abaixo é extenso. Lê quem quiser!

Para mim veganismo é antes de qualquer coisa RESPEITO! E esse respeito tem 5 vertentes principais: respeito por Deus (aquilo que nos transcende, que está acima de nós, do qual temos contato muito mais através do instinto, da fé, da emoção, do que pela razão), respeito pela natureza (o que nos rodeia, a terra, o céu, o ar, o mar, as árvores e as plantas), respeito pelos animais (todos os animais sencientes mamíferos, répteis, anfíbios, etc etc) , respeito pelos outros seres humanos (a humanidade em sua totalidade, mamíferos bípedes que primam seu comportamento pelo uso da razão a da cultura) e respeito por mim mesmo. Destes cinco, quatro deles referem-se a realidades externas (Deus, natureza, animais e outras pessoas) enquanto o último refere-se a mim mesmo.

Jesus Cristo disse: Ame ao próximo como a si mesmo. Há muita sutileza contida aí. Em primeiro lugar, ele diz que para amar ao próximo, é necessário amar primeiro a si mesmo. E para amar a si mesmo, é necessário conhecer a si mesmo, pois quem ama o que não conhece? Acontece que muitos não conhecem a si mesmos, não mergulham no âmago de seu self em busca do autoconhecimento. Conhecem muito e ao mesmo tempo conhecem tão pouco. Pouco conhecimento de si gera pouco amor próprio; o qual gera pouco amor ao próximo (Deus, natureza, animais e outras pessoas).

Como conhecer a si próprio? A psicologia clássica define os seres humanos como seres formados biologicamente (nosso corpo, nossa biologia), psicologicamente (razão e emoção) e socialmente (interações sociais). Somos o que somos por nossa peculiaridade biológica, psicológica e social (além dessas incluo, por minha conta, o espiritual, que seria nossa inclinação ao desconhecido, ao que está acima de nós, ao misterioso (místico), ao numinoso).

A relação disso com o veganismo é que acredito que, se quero realmente lutar pelos animais, sentir compaixão genuína por eles, sentindo profunda aversão pelo uso indiscriminado de animais na produção industrial seja de comidas, de cosméticos, de roupas e etc, preciso também me preocupar, me comover com a situação de um mundo onde o desrespeito é lugar comum, onde a mulher é deplorada na mídia como simples objeto, onde crianças são espancadas todos os dias por pais alcoolistas, viciados, etc. Porque no fundo se me comovo com animais que sofrem e não me comovo com seres humanos que sofrem, qual o sentido?

Mas acima disso está o EU. Se não me amo, não amo ao próximo (Deus, natureza, animais e outras pessoas). Se destruo meu próprio corpo com drogas, com álcool, com alimentos que não fazem bem ao meu organismo (ainda que não sejam de origem animal) não me amo. Se não me amo é porque não me conheço, não conheço a mim mesmo, meu próprio ser, e se não conheço a mim mesmo, se não posso sentir compaixão de mim mesmo e do rumo que estou dando a minha vida através do caminho escolhido que é da autodestruição, não seria hipócrita querer ajudar ao próximo? Não dou conta nem de mim mesmo; como posso ajudar outros, sejam eles animais, outras pessoas, meu ambiente?

Sendo assim, veganismo para mim passa por uma profunda análise de si mesmo e de minha relação com o que está fora de mim, entendendo que tudo está conectado, homens animais a natureza e eu mesmo. Autoconhecimento gera amor a si. Amor a si gera amor ao próximo.

E Deus é tudo em todos.

Natal?

O que é o Natal? O 25 de dezembro era uma data comemorada pelos povos pagãos como o aniversário do Deus Sol. Não se sabe ao certo a data do nascimento de Cristo, pois a Bíblia não dá indicações de quando ocorreu.

Hoje o Natal converteu-se em uma celebração do consumismo. As pessoas recebem seu 13º e já contraem dívidas, tudo em nome do “espírito do natal”. O amor é propagado, as pessoas sorriem e fazem festa, desejam feliz natal ao próximo sem se importar realmente com ele, numa atitude falsa e arrogante de ostentação e hipocrisia. “Amor e compaixão” regado a quilos e quilos de carnes. Porcos, bois, vacas, frangos, perus e peixes são mortos aos bilhões todos os anos (estimativas apontam o número de 65 bilhões de animais mortos em 2010) e o Natal, época que deveria ser de paz, de confraternização e amor entre os povos, contribui significativamente para esse genocídio. Sacrifica-se mata-se e come, tudo em nome de uma luxúria alimentar e da satisfação do apetite.

Jesus não nasceu em 25 de dezembro e você é muito estúpido se acredita nisso; ele não quer que você torre seu dinheiro para mostrar que se preocupa com seu próximo e sim que você mude sua atitude hipócrita e passe a amar seu próximo como a si mesmo; ele não quer que você contribua cegamente com o sistema capitalista e sim que você reflita em suas atitudes, em sua vida, nas escolhas que você faz diariamente. Dia a dia temos que escolher e sustentar a escolha. Cada escolha que fazemos vai nos fazer crescer ou nos prejudicar, mas não sabemos de antemão o fruto de cada escolha, e vivemos entre erros e acertos. Particularmente, hoje eu escolho estudar mais, tentar me desligar mais de coisas que não me edificam e me planejar para realizar coisas que venho adiando há tempos (meu inglês, meu mestrado, minhas atividades físicas). Pretendo amar mais e melhor minha esposa e filhos. Não são escolhas para 2014, pois foda-se a ilusão de ano novo; são minhas escolhas para hoje, pois somente o hoje é real. É nele que vivemos e existimos.

Ilusão é viver fazendo tudo o que os outros fazem e acreditar-se livre.

Guerra ao terror (EUA)

A notícia de que os EUA espionaram e espionam o Brasil revolta, mas nem por isso surpreende. Porque esse país sempre atuou desta forma, na surdina, através da CIA, depondo presidentes eleitos democraticamente e apoiando em seus lugares ditaduras sangrentas. Os EUA se advogam a si, nos filmes, como defensores da humanidade e de ideais elevados como a justiça, mas sua justiça só funciona para os outros; para si mesmos, ela passa muito longe. Infelizmente a ONU e os países do bloco europeu não se atrevem a impor limites aos desvarios dos ianques, permitindo-os prosseguirem em sua cruzada imperialista de dominação do mundo.