Copa do Brazil (II)

A manipulação que a grande mídia faz dos fatos relativos ao momento atual que vivemos (e quando me refiro à grande mídia dirijo-me em particular à Globo) é espantosa. O Jornal Nacional, em suas veiculações relativas à greve dos transportes em São Paulo e no Rio, por exemplo, tem sempre a perspectiva dos usuários dos transportes e suas dificuldades para ir trabalhar, mas nunca dos trabalhadores em greve, numa parcialidade indigna do verdadeiro jornalismo, mas corriqueiro na história dessa emissora que sempre primou em mostrar apenas o lado que lhe interessa, como na disputa presidencial entre Collor e Lula quando a emissora tomou descaradamente partido em favor de Collor, e ainda nas manifestações do ano passado (2013), quando manipulou as notícias sobre as manifestações de forma a parecer que só haviam “vândalos” nas manifestações e, conseqüentemente, todos ali presentes eram “vândalos”.

Ando muito a pé. Gosto de deixar meu carro na garagem de vez em quando e ir até a parada de ônibus pegar a lotação e ir ao trabalho. Vejo as ruas e constato que, a apenas três dias do início da Copa, a realidade é muito diferente da veiculada nos jornais da Globo que tenho “assistido” (DFTV, Globo Esporte, Jornal Hoje e Jornal Nacional). Os jornalistas desta emissora vendem a imagem de um país que comprou a idéia da Copa, que está animado, pintando as ruas, colocando bandeirinhas nos carros, num ufanismo patriótico bonito e digno de ser exaltado. Quando narram a “grande expectativa da população” pelo início da Copa, os jornalistas da Globo o fazem sempre com um grande sorriso no rosto, em uma clara demonstração de aprovação pela atitude da população em apoiar a “Seleção Brasileira”. Esses são os mesmos jornalistas que faziam cara feia, cara de azia e nojo quando noticiavam as manifestações do ano passado, em clara demonstração de repúdio às manifestações, e novamente, situação condizente com a história da Globo de apoio à Ditadura e de manipulação das massas sempre visando interesses próprios. Andando pelas ruas, não as vejo tão pintadas como em Copas anteriores. Hoje, o povo não comprou a Copa como a Globo gostaria nem está tão animado com ela como a Globo quer fazer parecer.

A apenas três dias da Copa, receio que muita coisa pode mudar. Receio que o povo vá se esquecer de tudo pelo que lutou e se render ao ataque midiático de apoio à “Seleção Brasileira” acima de tudo. “Brasil, ame-o ou deixe-o!” foi o lema da ditadura militar. Naquela época, a Copa de 1970 teve um efeito nefasto sobre a história brasileira. Hoje, a Copa de 2014 pode traçar os rumos da história brasileira, para o bem ou para o mal.

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