Copa do Brazil (III)

Ainda tem pessoas fazendo festa pela “seleção brasileira” na Copa. Ainda tem jornalistas dizendo que os jogos da Copa são “os mais emocionantes da história das Copas”. Ainda tem ruas pintadas em festa pelo Brasil. Ainda
Há pessoas despejadas. Há pessoas fazendo festa. Há pessoas agredidas em manifestação. Há uma cobertura que prioriza a festa em detrimento da realidade brasileira. Há
Copa do mundo. Copa da farsa. Copa da manipulação da mídia. Copa de prisões ilegais. Copa de violência contra manifestantes. Copa vendida pela FIFA e comprada a peso de ouro pelo Brasil. Copa!


(O principal legado que essa Copa deixará não será nos aeroportos, nem nos estádios faraônicos, nem nas (poucas) obras de infra-estrutura. O principal legado da Copa se fará na história, não a que a mídia vende como a história oficial, mas a que será e está sendo escrita nas manifestações, na repressão, na violência e na mídia alternativa. 
Uma gota não enche um vaso. No entanto, o contínuo gotejar encherá e transbordará o vaso. Da mesma forma, as manifestações, os posts de facebook, os posts em blogs, os vídeos em youtube, podem parecer irrisórios, mas constituirão no futuro fundamental acervo de referência da realidade que foi a Copa de 2014).

Ainda há Copa!

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Copa do Brazil (II)

A manipulação que a grande mídia faz dos fatos relativos ao momento atual que vivemos (e quando me refiro à grande mídia dirijo-me em particular à Globo) é espantosa. O Jornal Nacional, em suas veiculações relativas à greve dos transportes em São Paulo e no Rio, por exemplo, tem sempre a perspectiva dos usuários dos transportes e suas dificuldades para ir trabalhar, mas nunca dos trabalhadores em greve, numa parcialidade indigna do verdadeiro jornalismo, mas corriqueiro na história dessa emissora que sempre primou em mostrar apenas o lado que lhe interessa, como na disputa presidencial entre Collor e Lula quando a emissora tomou descaradamente partido em favor de Collor, e ainda nas manifestações do ano passado (2013), quando manipulou as notícias sobre as manifestações de forma a parecer que só haviam “vândalos” nas manifestações e, conseqüentemente, todos ali presentes eram “vândalos”.

Ando muito a pé. Gosto de deixar meu carro na garagem de vez em quando e ir até a parada de ônibus pegar a lotação e ir ao trabalho. Vejo as ruas e constato que, a apenas três dias do início da Copa, a realidade é muito diferente da veiculada nos jornais da Globo que tenho “assistido” (DFTV, Globo Esporte, Jornal Hoje e Jornal Nacional). Os jornalistas desta emissora vendem a imagem de um país que comprou a idéia da Copa, que está animado, pintando as ruas, colocando bandeirinhas nos carros, num ufanismo patriótico bonito e digno de ser exaltado. Quando narram a “grande expectativa da população” pelo início da Copa, os jornalistas da Globo o fazem sempre com um grande sorriso no rosto, em uma clara demonstração de aprovação pela atitude da população em apoiar a “Seleção Brasileira”. Esses são os mesmos jornalistas que faziam cara feia, cara de azia e nojo quando noticiavam as manifestações do ano passado, em clara demonstração de repúdio às manifestações, e novamente, situação condizente com a história da Globo de apoio à Ditadura e de manipulação das massas sempre visando interesses próprios. Andando pelas ruas, não as vejo tão pintadas como em Copas anteriores. Hoje, o povo não comprou a Copa como a Globo gostaria nem está tão animado com ela como a Globo quer fazer parecer.

A apenas três dias da Copa, receio que muita coisa pode mudar. Receio que o povo vá se esquecer de tudo pelo que lutou e se render ao ataque midiático de apoio à “Seleção Brasileira” acima de tudo. “Brasil, ame-o ou deixe-o!” foi o lema da ditadura militar. Naquela época, a Copa de 1970 teve um efeito nefasto sobre a história brasileira. Hoje, a Copa de 2014 pode traçar os rumos da história brasileira, para o bem ou para o mal.