Copa do Brazil (I)

O Brasil está em um momento de profunda efervescência política. E a grande ironia disso é que um dos fatores responsáveis por toda a excitação que tem tomado conta das ruas é o futebol, logo ele, tão marginalizado pelos intelectuais de plantão. O futebol tem sido fonte de profundo descontentamento por parte da população e este tem sido expresso no mote “Não vai ter Copa”.

O povo brasileiro quer a Copa? Provavelmente sim, mas que esta tivesse vindo acompanhada de melhorias para a população, de um planejamento mais eficiente, de menos corrupção. Da forma como está sendo conduzida, é visível que o povo brasileiro está sendo lesado através dos gastos excessivos na construção de estádios faraônicos.

O povo brasileiro não quer a Copa? Provavelmente sim, e é o que vemos nos protestos que tem se intensificado nas redes sociais e começado a aparecer nas ruas. O grito de “Não vai ter Copa” tem se intensificado e tem incomodado os governantes. Estes tem respondido através da polícia e da ação ostensiva desta, na forma de um “Calem a boca!” aos protestos. Pode até ser uma forma eficiente de resolver a situação a curto prazo, mas a longo prazo, a história se encarregará de dizer. Com certeza esses protestantes de hoje são muito diferentes da geração cara-pintada permitida e apoiada pela mídia; os protestantes de hoje são marginalizados e perseguidos por essa mesma mídia.

É chegado o momento de profunda reflexão e demanda de tomada de posicionamento ao povo brasileiro; quais os rumos serão tomados ainda são de difícil previsão, bem como os impactos que estes terão para as presentes e futuras gerações. Tomar posicionamento é não se abster de escolher e não deixar que outros escolham por si.

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Veganismo

Gostaria de expor MINHA VISÃO PESSOAL a respeito do que é o veganismo. Quem discordar, favor, apresentar capítulo e versículo da Bíblia do Veganismo onde está evidenciado meu engano. 

Alerto também que o texto abaixo é extenso. Lê quem quiser!

Para mim veganismo é antes de qualquer coisa RESPEITO! E esse respeito tem 5 vertentes principais: respeito por Deus (aquilo que nos transcende, que está acima de nós, do qual temos contato muito mais através do instinto, da fé, da emoção, do que pela razão), respeito pela natureza (o que nos rodeia, a terra, o céu, o ar, o mar, as árvores e as plantas), respeito pelos animais (todos os animais sencientes mamíferos, répteis, anfíbios, etc etc) , respeito pelos outros seres humanos (a humanidade em sua totalidade, mamíferos bípedes que primam seu comportamento pelo uso da razão a da cultura) e respeito por mim mesmo. Destes cinco, quatro deles referem-se a realidades externas (Deus, natureza, animais e outras pessoas) enquanto o último refere-se a mim mesmo.

Jesus Cristo disse: Ame ao próximo como a si mesmo. Há muita sutileza contida aí. Em primeiro lugar, ele diz que para amar ao próximo, é necessário amar primeiro a si mesmo. E para amar a si mesmo, é necessário conhecer a si mesmo, pois quem ama o que não conhece? Acontece que muitos não conhecem a si mesmos, não mergulham no âmago de seu self em busca do autoconhecimento. Conhecem muito e ao mesmo tempo conhecem tão pouco. Pouco conhecimento de si gera pouco amor próprio; o qual gera pouco amor ao próximo (Deus, natureza, animais e outras pessoas).

Como conhecer a si próprio? A psicologia clássica define os seres humanos como seres formados biologicamente (nosso corpo, nossa biologia), psicologicamente (razão e emoção) e socialmente (interações sociais). Somos o que somos por nossa peculiaridade biológica, psicológica e social (além dessas incluo, por minha conta, o espiritual, que seria nossa inclinação ao desconhecido, ao que está acima de nós, ao misterioso (místico), ao numinoso).

A relação disso com o veganismo é que acredito que, se quero realmente lutar pelos animais, sentir compaixão genuína por eles, sentindo profunda aversão pelo uso indiscriminado de animais na produção industrial seja de comidas, de cosméticos, de roupas e etc, preciso também me preocupar, me comover com a situação de um mundo onde o desrespeito é lugar comum, onde a mulher é deplorada na mídia como simples objeto, onde crianças são espancadas todos os dias por pais alcoolistas, viciados, etc. Porque no fundo se me comovo com animais que sofrem e não me comovo com seres humanos que sofrem, qual o sentido?

Mas acima disso está o EU. Se não me amo, não amo ao próximo (Deus, natureza, animais e outras pessoas). Se destruo meu próprio corpo com drogas, com álcool, com alimentos que não fazem bem ao meu organismo (ainda que não sejam de origem animal) não me amo. Se não me amo é porque não me conheço, não conheço a mim mesmo, meu próprio ser, e se não conheço a mim mesmo, se não posso sentir compaixão de mim mesmo e do rumo que estou dando a minha vida através do caminho escolhido que é da autodestruição, não seria hipócrita querer ajudar ao próximo? Não dou conta nem de mim mesmo; como posso ajudar outros, sejam eles animais, outras pessoas, meu ambiente?

Sendo assim, veganismo para mim passa por uma profunda análise de si mesmo e de minha relação com o que está fora de mim, entendendo que tudo está conectado, homens animais a natureza e eu mesmo. Autoconhecimento gera amor a si. Amor a si gera amor ao próximo.

E Deus é tudo em todos.