Balão Mágico

Adultos e crianças

Entre aplausos e sorrisos

 

“Caminhar sob o vazio

Colocam a vida em um fio

Piruetas e peripécias

Palhaçadas, risos e  festas

Quatro motos em alta velocidade

Desafiam a morte na cidade

Girafa no picadeiro

Mulheres arriscam-se o tempo inteiro

Com apenas um pano, suspensas no ar

O show não pode parar”

 

Testemunhas de um espetáculo

Realizado no pó e na grama.

Obrigado!

Dia dos pais. Um só dia? Não seriam todos os dias “dia dos pais”? Obviamente, este tal “dia dos pais” é apenas mais uma invenção capitalista para aquecer o comércio e movimentar a economia (leia aqui).

Contudo, para além de suas raízes escusas, o dia de hoje serviu para mim, pessoalmente, como um momento de reflexão. Reflexão em meu papel e em minha responsabilidade como pai de dois meninos, Bernardo e Arthur. E reflexão maior, provavelmente pela distância vivida e sentida, em meu pai querido que está longe de mim geograficamente, porém sempre presente em meu coração. Meu pai, Antonio Bernardo de Santana.

Filho mais velho, veio do Maranhão para Brasília nos anos 70 praticamente só, abrindo espaço para que seus pais e irmãos viessem em seguida. Aqui conseguiu emprego, esposa, duas filhas e um filho. Trabalhou como garçom por muitos anos, construiu sua própria casa, aventurou-se no comércio em Brasília e posteriormente na Bahia, quando mudou-se para Barreiras, local onde adotou a religião evangélica e onde atualmente mora com minha mãe. Estabeleceu-se como comerciante, aposentou-se recentemente, porém continua ativo no comércio local.

Trabalhador, amigo, companheiro, sábio: poderia escrever muitos outros adjetivos para caracterizar meu pai. Não o farei. Gostaria apenas de dizer: obrigado pai. Obrigado pelo apoio, amizade e presença constante em minha vida e em meu coração.

Taça de fel

A bebida tinha um gosto horrível. Ainda assim ele não parava de beber! Por que? Por que não parar, por que não sair e ir embora? O tédio (maldito tédio!) impulsionava-o a auto-destruição! Não se importar nem se incomodar! Apenas beber (esse seria seu lema se ele tivesse um)! E no fim esquecer, no fim não mais saber de nada, no fim apenas a ressaca amarga e o estômago dolorido (o vômito faria o favor de retirar todo o veneno de si). Pensava apenas: “Foda-se!” Não queria saber, não queria nada! Pensava: “Foda-se tudo, até eu mesmo!”

No fim, apenas a dor restaria. Dor amarga, ingrata e cruel; ainda assim, fiel companheira que o acompanhava desde sempre. Desde … Não, não queria lembrar, não queria saber: queria apenas beber, beber e beber (refugio, fuga, asilo), = válvula de escape, solução [(antepen)última] dos desesperados, tentativa de preenchimento do sentimento do vazio … tédio!

Mas ele não queria lembrar, não podia lembrar; se lembrasse, sua dor seria tão desesperadora, tão intensa e aguda e crônica e lancinante que não suportaria. Então o que fazer? Beber! Beber para esquecer, para não saber; e quem sabe porventura [desejo último do inconsciente] morrer. Era isso? Esse era seu desejo? A morte? Acabar com sua existência medíocre, banal e ordinária? Mas seria tão fácil … não mais sofrer, não mais lembrar, não mais nada. Seria pior a morte que a vida? Seria pior descansar na cama final que aguarda toda a humanidade a se arrastar no lodo da vida? Seria pior?

E então ele bebe. Cada vez mais e mais. Nunca antes ele havia bebido assim, nem em seus porres mais homéricos, nem em suas farras mais lascivas, nem em seus sonhos. Quase não lhe restavam mais forças, quase não lhe restava mais consciência. Sua última dose de energia estava direcionada para o levantar do copo e o sorver da bebida e seus últimos pensamentos conscientes resumiam-se em palavrões raivosos dirigidos contra si, contra tudo e contra todos. Todos!

18 horas

18h. O tempo passou muito rápido. Mais um dia que se finda, mais um dia terminado, mais um dia para a história. Mais um dia passado, mais um dia vencido. 18h. Hora de ir para casa, hora de descansar. Hora chegada, hora aguardada, ansiada.

Começo a arrumar minhas coisas. Minha mesa está uma bagunça, uma confusão. Pego um texto que imprimi hoje, guardo para levar para casa e ler mais tarde. A leitura é um dos meus maiores prazeres, um hábito que carrego comigo em todas as fases de minha vida. Lembro-me que na infância, quando queria ouvir as histórias de gibis e minha irmã mais velha não queria ler para mim, jurava para mim mesmo que aprenderia a ler para poder ler sozinho. Hoje, sempre que posso separo um tempo para a leitura. E esse texto que imprimi é ainda mais especial por ser de um tema que aguça sobremaneira minha curiosidade: a psicanálise.

Findo a organização da mesa, separo o que irei levar para casa, deixo encima da mesa, vou ao banheiro, volto, pego o que havia deixado sob a mesa, dirijo-me ao carro, tiro a chave do bolso, destravo o alarme e as portas, abro a porta do motorista, coloco o que segurava no banco do passageiro, ligo o carro, e vou, finalmente, para casa.