19/07/2013 – Congresso Interamericano de Psicologia (IV)

Último dia do Congresso. A primeira palestra que assisti não havia programado e não tinha muito interesse, embora fosse um tema instigante: Bullying. Mas realmente não estava muito animado. Achei que fosse pelo assunto, durante o Congresso vi que não era. Talvez um reflexo do último dia, o fato é que hoje não estava tão entusiasmado quanto estive no decorrer da semana. Por quê? Desanimado pelo fim do Congresso? Por ter de abrir mão do ambiente acadêmico no qual estive novamente depois de tanto tempo e voltar a trabalhar, voltar a rotina corriqueira?

Estava tão desanimado que mesmo a mesa redonda que julguei ser a que fosse me interessar mais, PROBLEMAS ATUAIS PARA A PSICANÁLISE, acabou se tornando maçante para mim. Além desta mesa redonda, participei hoje das apresentações orais TERMO BULLYING: UMA TRAJETÓRIA DE SEUS USOS E RESSIGNIFICAÇÕES DE SENTIDO, BULLYING EN ADOLESCENTES CHILENOS: UNA APROXIMACIÓN DESDE EL ESTATUS SOCIAL Y LAS CREENCIAS DEL GRUPO DE PARES, VIVENDO O LUTO: COMO UM GRUPO DE AUTO-AJUDA PODE AUXILIAR?, ESTUDO DAS RESPOSTAS DE EMPATIA E RECOMENDAÇÃO DO TERAPEUTA NO PROCESSO DE INTERAÇÃO TERAPEUTA-CLIENTE, outras duas apresentações orais que nem vou citar pois apenas meu corpo estava presente e minha cabeça estava longe, longe, e ainda a conferência THE CHANGING STORY OF LIFE IN THE FAVELAS OF RIO DE JANEIRO, 1968-2008, com a professora Janice Perlman.

Deterei-me aqui em algumas breves considerações a respeito da mesa redonda sobre psicanálise. Nela, as duas participantes, Fernanda Costa-Moura e Anna Carolina Lo Bianco detiveram-se fundamentalmente em Lacan e na questão do Nome do Pai, na relação da psicanálise com a modernidade e pós-modernidade, com sua função perante as mudanças sociais e culturais e até mesmo sua validade perante essas mudanças. A psicanálise continua necessária? Continua sendo uma metodologia válida para se compreender o sofrimento humano? Foi dito que a psicanálise só existe em sua práxis, e em minha avaliação nela a psicanálise mostra sua pungência, seu valor, sua força. Vivemos um mundo de mudanças constantes onde a psicanálise, exatamente por não buscar respostas e sim divagações, oferece ao indivíduo uma oportunidade de se recolocar perante a narrativa social, perante o sintoma moderno, reescrevendo a si mesmo, recolocando-se como sujeito histórico. A respeito da autoridade foi falado sobre a relação entre obra e autor, da responsabilidade que o autor tem de sua obra e da verdade que sua obra não é sua; é antes disso herança de uma história, de um processo de desenvolvimento no qual todos nos inserimos. Mesmo a obra de mais criatividade estaria legada a outro autor, estranho a nós, eu mesmo, desconhecido para mim: (meu) inconsciente. O autor é assim causado por algo além dele, escrito por sua obra, reinventado por seu próprio trabalho.

Só tenho uma crítica: porque os psicanalistas, em suas apresentações, parecem se esforçar para deixá-la o mais enfadonho, sem sal, monótono possível? Assisti seis palestras de psicanalistas nesse Congresso: quatro leram suas apresentações como se estivessem lendo um livro e dois utilizaram o PowerPoint, recurso que inegavelmente torna a apresentação algo muito mais interessante. Nas leituras por vezes um termo utilizado não me é familiar e passa batido, ao passo que numa apresentação em PowerPoint posso ler o termo, tornando mais fácil sua apreensão. Para os inimigos do PowerPoint reconheço que nem toda boa apresentação precisa se dar com o uso desse recurso. Já assisti ótimas apresentações em que o palestrante falou com tanta vivacidade que dispensou por completo o uso do PowerPoint. Mas é bem difícil colocar vivacidade em uma leitura pública. Engraçado que aqueles que utilizam-se da leitura pura e simples são os mestres e doutores, como se sua condição por si só não necessita-se de um algo a mais na apresentação. Discordo completamente, ainda mais se pensar que muitas mentes jovens são afastadas da psicanálise nesse processo, por assistirem uma apresentação assim  e acabarem considerando a coisa mais chata que já viram.

Bom, mas é apenas uma opinião. Talvez seja fruto do meu desânimo inicial, do meu estado de espírito (sqn…).

Fim de Congresso, reinicio do mesmo ciclo cotidiano: processo contínuo da vida.

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