18/07/2013 – Congresso Interamericano de Psicologia (III)

Minha primeira participação neste dia foi na mesa redonda CONDIÇÃO FEMININA, TRANSGERACIONALIDADE E ENVELHECIMENTO: DESAFIOS E QUESTÕES. A questão de crianças e adolescentes serem criados por avós e bisavós foi levantada com um dado surpreendente para mim: um milhão e 700 mil crianças e adolescentes são criados por avós e bisavós no Brasil. Um número elevado do qual eu não fazia ideia. Tal questão levanta e levantou muitas questões na mesa redonda, como aspectos positivos dessa realidade (auto-estima dos idosos, possibilidade de que estes realizem atividades numa idade avançada, sentindo-se assim úteis na família, etc) e aspectos negativos (confusão de papéis avó-mãe, raiva/rancor dos filhos por serem postos na condição de educar netos/bisnetos, dores de cabeça, aumento da pressão arterial, etc). Foi levantada ainda, por outra palestrante da mesma mesa redonda, as mudanças modernas e pós-modernas nos papéis de gênero masculino e feminino, os quais implicam adaptação tanto de homens quanto de mulheres, bem como a necessidade de ampliar as definições de família para uma definição que abarque as mudanças que a sociedade contemporânea atravessa.

De lá fui assistir apresentações orais que tinham como eixo comum o tema da saúde mental. Foi falado sobre o CAPS e sua atuação e a importância da prevenção primária em saúde mental. Sobre esse último ponto, foi levantado um dado importante, de que o investimento de 1 libra esterlina em programas preventivos e de promoção da saúde resulta na economia de 83 libras esterlinas na economia. No momento da discussão um dos participantes que assistiam aos apresentadores levantou a questão de se os CAPS não seriam mais uma instituição a ser combatida e não incentivada haja vista a questão da reforma psiquiátrica. Fiquei pensando que este participante nunca atuou na prática para falar tal disparate; no CRAS onde trabalho, a necessidade da criação de mais CAPS é tão urgente que ficamos sem local para onde encaminhar as pessoas que nos procuram com alguma demanda relacionada à saúde mental e essas famílias ficam sem referência no que tange à questão da saúde mental. Um dos palestrantes, de modo muito oportuno, pontuou a questão que os CAPS constituem para o público que dele necessita e faz uso um importante ponto de ancoragem, distinto das antigas instituições psiquiátricas onde abusos eram cometidos pelos profissionais que ali trabalhavam. Nos CAPS há um trabalho com diferentes profissionais (psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros) além de uma preocupação na articulação com a rede sócio assistencial, fato que posso atestar na minha prática. Assim, acho de todo descabido afirmar que em prol de uma reforma psiquiátrica devemos ter menos instituições que lidem com a questão da loucura; haverá um belo dia em que os CAPS poderão não ser mais necessários, onde a família acolherá o indivíduo com histórico de problemas mentais de uma forma acolhedora e a sociedade respeitará o mesmo; mas esse dia ainda não chegou e enquanto isso os CAPS são para milhões de brasileiros uma referência, um local onde se pode buscar apoio, auxílio, ancoragem e acolhida.

CONNECTING VIRTUE, POLITICS, ETHICS AND HUMAN RIGHTS foi uma conferência ministrada por Janel Gauthier, President-elect da International Association of Applied Psychology e Professor de Psicologia da Laval University, Canada. Essa conferência foi fundamentada sobretudo na Declaração Universal dos Direitos Humanos, levantando seus aspectos positivos e negativos, críticas levantadas à mesma (não ser universal, constituir ferramenta política, ser usada em muitas oportunidades para justificar atitudes violentas e até mesmo guerras). Foi levantada a questão de que a Declaração não é uma lei, não pode ser imposta pela ONU. Todavia existem formas alternativas de fazer valer seus construtos universais como sanções comerciais, etc. Gauthier pontuou a questão que é melhor ter uma lei (no caso, um decreto) que não é perfeita do que não ter nada; a existência da lei é melhor que sua ausência. Ou seja, a Declaração, não sendo perfeita, questionada pelos países árabes e por muitos países africanos, é louvável como meta a ser atingida e como parâmetro de ações que devem ser almejadas por todos, como o respeito e a tolerância. Gauthier pontuou ainda (uma questão importante para mim) a necessidade de que o profissional de psicologia seja hoje um profissional globalizado, atento às questões sociais, sensível para a agenda política. Ser respeitoso, humilde. Para ser globalizado hoje o uso da língua inglesa é fundamental. Sendo assim, a urgência do aprendizado da língua inglesa por mim tem sido uma questão que tem se imposto a cada dia com maior clamor. É uma deficiência minha, uma limitação que procurarei sanar. Enfim, uma conferência riquíssima, realizada por um profissional conceituado e respeitado que serve como inspiração para uma prática e um posicionamento profissional, ético e político.

Amanhã será o último dia da Conferência, e desde já sinto saudades por todo o crescimento que tenho alcançado nesses dias ricos para o crescimento pessoal e sobretudo profissional.

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