17/07/2013 – Congresso Interamericano de Psicologia (II)

Como o pneu do meu carro furou ontem (ver post anterior) tive que ir numa borracharia e acabei me atrasando, portanto não acompanhei as palestras que se iniciaram às 8:00h. Das apresentações orais realizadas na sala 2305 achei interessante a colocação a respeito da PNH (Política Nacional de Humanização), documento elaborado pelo SUS, na palestra COMUNICAÇÃO DE MÁS NOTÍCIAS: PERCEPÇÕES, EXPECTATIVAS E IMPACTO PSICOLÓGICO EM PACIENTES RECÉM DIAGNOSTICADOS COM CÂNCER.  Não conhecia o PNH, dei uma rápida olhada nele agora a pouco e só o achei sintético demais (apenas 20 folhas). A respeito da comunicação de más notícias, tema principal da apresentação a que me referi, foi também pontuado a preferência relatada pelos pacientes de receber informações claras de forma gradual, respeitosa e sempre na íntegra. Os pacientes relatam ainda a necessidade de que tenham uma oportunidade de expor seus próprios sentimentos.

De lá, dirigi-me a um simpósio com o tema VIOLÊNCIAS DE GÊNERO: PESQUISAS, INTERVENÇÕES E REFLEXÕES SOBRE AÇÕES DO ESTADO, sob a supervisão da professora Glaucia Diniz, professora da UnB. Interessante que eu não a conheci por lá em minha graduação e tive a oportunidade de agora ter tido esse contato com ela. Em sua palestra, Glaucia chamou a atenção para o fato de que todos nós, muitas vezes, tratamos com mais deferência e cuidado a estranhos do que a pessoas próximas a nós. Apontou então ao fato de que parece haver algo na intimidade que suscita, que nos remete à raiva e ao destrato com aquele ou aquela ao qual mais amamos. Parece ser muito mais fácil expressar raiva do que expressar amor, educação e cuidado. Vivemos e nos (des)educamos em uma sociedade marcada pelo machismo, pelo paternalismo, pelo individualismo, onde o eu (e até o tu) se sobrepõe ao nós. O amor individual é maior que o amor ao outro e este, enquanto outro, passa a ser visto como uma ameaça à integridade; o outro é visto como desequilíbrio, como desestabilizante e desestruturante. Desta forma, ser violento ao outro aparece como reação à ameaça que sua simples presença remete a minha pessoa, ao meu ser. Fascinação da violência, espetáculo da ignorância, epifania do ódio.

Posteriormente, assisti a palestra CAN WE REALLY INTERNATIONALIZE PSYCHOLOGY? – STRUCTURE, CONTENT AND PROCESSES  de Merry Bullock, da APA – American Psychological Association. Em sua palestra o foco foi a internacionalização (ou i18n, como a palestrante sugeriu para simplificar: primeira letra e a última mais as 18 letras que compõem a palavra inglesa internationalization) da psicologia e seus desdobramentos, como o crescimento da psicologia para fora dos centros tradicionais (Europa e EUA) e o consequente aumento da atenção dirigida para a diversidade das questões locais. A palestra de Bullock foi interessante para mim pois, ao contrário do que eu esperava, ela não enalteceu os EUA como a quintessência da produção do saber em psicologia, reconhecendo a importância da produção intelectual realizada nos países da América Latina e Ásia, países emergentes no que se refere à produção do saber psicológico. A impressão que Bullock transmitiu foi de ânimo com a conjuntura intelectual encontrada atualmente nesses países emergentes, o que não deixa de transmitir ao público presente, a mim sobretudo, um renovado ânimo com as possibilidades futuras de crescimento, desenvolvimento e expansão  da psicologia como profissão.

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