16/07/2013 – Congresso Interamericano de Psicologia (I)

Farei algumas breves considerações aqui a respeito do Congresso Interamericano de Psicologia, o qual teve inicio hoje. Tentarei ser breve, visto que a hora está já bem adiantada e encontro-me cansado demais.

Cheguei um pouco tarde ao Congresso e acabei não podendo assistir a mesa redonda pretendida (RELIGIOSIDADE, REFORMA PSIQUIÁTRICA E EDUCAÇÃO SEXUAL: A SUBJETIVIDADE EM FOCO) de sorte que procurei outra que me interessa-se. Acabei assistindo a última apresentação oral na sala 2309, CONCEPÇÕES DE MATERNIDADE EM MULHERES ACIMA DOS 40 ANOS. Foi uma apresentação muito interessante, de uma pesquisadora do RS, que utiliza como sustentação de seu trabalho o modelo de Levinson do ciclo vital e o conceito de violência de Burlae. Achei isso aqui na internet que é bem o modelo proposto na pesquisa.

De lá fui para outra sala onde se iniciariam palestras com outros temas. Das cinco palestras programadas (SAÚDE MENTAL, GÊNERO E TRABALHO, MULHER, TRABALHO E CONJUGALIDADE, TERAPIA FAMILIAR E FAMÍLIAS MONOPARENTAIS FEMININAS: PERSPECTIVAS DE GÊNERO, A CONVIVÊNCIA COM A DOENÇA MENTAL: SENTIDOS CONSTRUÍDOS POR FILHOS DE MULHERES PORTADORAS DE TRANSTORNOS MENTAIS GRAVES, SENTIDOS CONSTRUÍDOS POR FAMILIARES DE PORTADORES DE DOENÇA MENTAL ACERCA DA PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA NO TRATAMENTO) a que foi mais rica para mim foi a última, que trouxe dois pontos fundamentais: a noção de que o acolhimento não pode ser trabalhado apenas como um aspecto pontual, de momento, mas sempre com um algo a mais, como um momento doado, como algo que ultrapassa a técnica. Isso foi importante para mim pois percebo que em minha prática profissional no CRAS tento sempre me manter nos limites da técnica; vislumbro todavia que um algo a mais pode ser útil na medida em que daí pode vir a brotar uma compreensão maior do indivíduo e ainda uma adesão mais eficaz ao tratamento. Percebo colegas que atuam em sua prática profissional dentro do CRAS desta forma e entendo que posso vir a aprender com eles. Outro ponto importante ressaltado nessa apresentação foi a noção de cobrança por parte do profissional sobre o público atendido. Observo que em minha prática eu mesmo realizo essa cobrança, e a indagação feita é a de que se essa cobrança geraria no usuário uma demanda além de sua demanda inicial, um peso a mais para ele, uma responsabilização da família atendida sem o provimento de um suporte necessário (mais CRAS, CREAS, CAPS, etc).

Continuando, ainda no período matutino deparei-me com a maior surpresa do dia: a palestra de John Cacioppo da University of Chicago, USA, intitulada SOCIAL ISOLATION. Essa palestra foi importante em um nível profundamente pessoal, além de intelectual. Nela, Cacioppo aborda a questão do isolamento, exemplificando primeiramente o que ocorre no reino animal com cardumes de peixes e pinguins, os quais vivem e sobrevivem em coletivos fundamentais para a existência da espécie. Da mesma sorte, o sentir-se isolado constitui na teoria de Cacioppo fonte de angústia e sofrimento para os indivíduos, sendo causa direta de um profundo mal estar humano, social. A palestra foi excelente e me remeteu a muitas questões pessoais, que procurarei aprofundar com o tempo.

No mais, participei no período vespertino de mais uma sessão de apresentações orais e de um simpósio com um argentino, um mexicano e dois brasileiros versando a respeito da HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA DA PSICANÁLISE NA AMÉRICA LATINA. Sem bairrismo, as apresentações dos dois brasileiros foram de muita felicidade, pois ambos destacaram em suas falas as dificuldades vivenciadas pela psicanálise em sua origem em terras tupiniquins e do quanto este ramo do saber foi desvirtuado ao longo de sua história pela sagacidade de homens que a subjugaram em interesses escusos. Não havia ainda sido despertado em mim o interesse pela história da psicanálise no Brasil, mas agora percebo o quanto tal história é importante ao desvelar o processo sócio-histórico do surgimento da psicanálise e as raízes das dificuldades na compreensão desta. Foi abordado ainda o papel da IPA (International Psychoanalytical Association) na construção e no desenvolvimento de uma metodologia própria para o reconhecimento do psicanalista e de como essa autoridade foi e vem sendo desconstruída em prol de uma visão mais ampla e menos dogmática.

No mais é isso. Ao sair do Congresso, tive ainda a aventura de ter de trocar o pneu do carro e a felicidade de pegar um congestionamento de uma hora e meia para chegar em casa. Valeu a pena, pois chegando aqui foi comemorado o aniversário de um dos maiores presentes da minha vida, meu primogênito lindo Bernardo, que completou 5 anos de vida, meu amado filho. Parabéns meu querido, papai te ama muito.

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