O Mestre (2012) – Análise do filme

Ontem assisti ao filme O Mestre (2012). Para mim, o filme se salva com a grande atuação de Joaquim Phoenix (Freddie Quell).  Philip Seymour Hoffman (Lancaster Dodd) e Amy Adams (Peggy Dodd)  também obtiveram merecido destaque, mas Phoenix me impactou mais interpretando Freddie Quell, ex-combatente na segunda grande guerra, dependente de álcool e com dificuldades de controlar seus impulsos sexuais. Soberba atuação de Phoenix, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor ator. Ainda não assisti ao vencedor Daniel Day-Lewis em ação no Lincoln (2012), mas por se tratar de um filme a respeito de um presidente americano era previsível sua vitória.

Na trama de O Mestre, Freddie Quell, numa vida atribulada e conturbada, assemelha-se a alguém em busca constante por algo que não consegue nomear; busca satisfação no álcool e no sexo, os quais não suprem sua necessidade, não cessam sua falta. Na busca desenfreada por satisfação, acaba por conhecer, em um acaso do destino (existe acaso no destino?), Lancaster Dodd, homem que, após escrever um livro intitulado A Causa, arrebata para si muitos seguidores de sua linha de pensamento. Autoritário, eloquente, carismático e influente, Lancaster Dodd vê em Freddie Quell, com sua brutalidade latente, seu ímpeto exposto, um soldado leal, alguém para fazer o trabalho sujo por si, como silenciar uma voz discordante na multidão através da intimidação ou servir de cobaia para suas experiências. Quell segue seu mestre sem questionar e sem aceitar questionamentos de outros. O mestre não deve ser questionado por ele nem por ninguém. Interessante que quando a polícia chega e prende ambos, Quell se desespera e agride os policiais. Já na cadeia agride-se a si próprio e posteriormente agride verbalmente ao seu mestre; antes adorado como Deus, agora reduzido a simples mortal na prisão, Dodd não mais o inspira à veneração cega. Tanto que, posteriormente, Quell se desfaz de sua ligação umbilical com Dodd; ao retornar e ver seu mestre empossado como homem respeitado, Quell presta nova reverência a Dodd, buscando interiorizar seus ensinamentos através do compartilhamento dos ensinamentos de seu mestre.

Permeando o enredo do filme está presente a visão de homem sustentada por Lancaster Dodd: os seres humanos estão acima dos animais, não devendo se rebaixar por suas “vis inclinações”. Entretanto, o próprio Dodd bebe constantemente com Quell, promove reuniões onde mulheres dançam nuas (ilusão ou realidade?), arrisca-se pilotando uma moto em alta velocidade em um deserto e chega a ser ameaçado por sua esposa a respeito de sua fidelidade. A filha de Dodd,  Elizabeth Dodd, interpretada por Ambyr Childers, insinua-se para Quell. E Quell, patrono da baixeza e dos excessos, é o panteão da impulsividade, masturbando-se na areia ou no mar, bebendo bebidas que ele próprio produz, enxergando vaginas em várias lâminas de Rorscharch e roubando objetos da casa de uma das anfitriãs de Lancaster Dodd. Ou seja, apesar da visão defendida por Dodd, o que se vê são homens falhos, movidos por impulsividade e agressividade, bem mais próximos aos animais do que desejava Dodd.

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