01/07/2013 – Sobre as manifestações ocorridas e em processo por todo o Brasil nesse efervescente ano de 2013 (III)

Fui na manifestação de hoje, nascida na internet como Greve Geral do 01 de julho de 2013 e morta pela tática política e midiática de desvirtuar o verdadeiro caráter das manifestações.

Cheguei no Conjunto Cultural da República (biblioteca e museu) por volta 15:30h, e não havia praticamente ninguém. Desci até o Congresso Nacional na esperança de que por lá houvessem mais manifestantes, mas lá não tinha ninguém mesmo (de manifestantes, obviamente). Optei então por voltar ao Conjunto Cultural e esperar.

Por volta das 17:30h, quando já havia um número maior de manifestantes, alguém resolveu se pronunciar e tentar organizar algo. Ali começava, a meu ver, o ponto alto, súblime, desta manifestação: a tática sem tática, o caos organizado, ingerido, desarticulado mas com próposito. Todos queriam protestar: mas não sabiam aonde ir e nem o que fazer. Solução? Tentar estabelecer uma democracia, onde um articulador questionava aos demais o que queriam fazer, aonde queriam ir. Por vezes, a opinião do articulador não era a mesma da massa, mas isso pouco importava, a vontade de todos prevalecia, e assim foi.

Primeiramente nos dirigimos à Rodoviária com gritos de “Vem pra rua!”, “o povo unido jamais será vencido” e “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”.

Posteriormente fechamos o eixão. Esse foi o ponto alto da manifestação, onde estávamos coesos, dispostos a tudo, sem medo.

Dali fomos para o Buriti. Mais gritos de ordem e de protesto. De lá para a Câmara Legislativa, onde os ânimos já pareciam acirrados demais, e o foco já começava a se perder. Então voltamos para a rodoviária. Quem é de Brasília sabe que essa não é uma caminhada fácil, e não foi mesmo. Mas ainda tive fôlego pra uma corridinha da polícia, quando tentei cruzar o canteiro central e fui surpreendido por policiais de tocaia atirando. Tive sorte de não ter levado bala de borracha, e no meio da confusão, pessoas se batendo e caindo, consegui correr de volta a um local um pouco mais pacífico.

Até chegar à rodoviária, algumas prisões, spray de pimenta e helicóptero voando baixo e levantando poeira na galera, que gritava a plenos pulmões: “ar-condicionado”. Os manifestantes seguiram então para o Congresso, e eu encerrei minha participação por ali mesmo. Eram 22:30h e eu havia chegado às 15:30h, ou seja, com 7 horas de participação intensa, estava já cansado demais.

Como ponto negativo de hoje, fica a impressão de que as manifestações começam a perder força devido principalmente a tática televisiva (vide Rede Globo) de desvirtuar as manifestações, vendendo a imagem destas como arruaça e desordem. De todo modo, a tática de não ter tática mostrou-se acertada, por privar os policiais de um conhecimento prévio do percurso da manifestação. Restou em mim a alegria de fazer parte desse momento histórico, onde o povo se levanta, ancorado pelas mídias sociais presentes fundamentalmente na internet, tomando para si a responsabilidade de se fazer ouvir e de fazer mudar.

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