Ted (2012) – Análise do filme

Somente hoje assisti ao filme Ted (2012). Havia muito tempo que tinha comprado mas nunca havia assistido. Compartilho aqui minhas impressões a respeito do filme. Se você não assistiu ainda, advirto que você encontrará aqui, como não poderia deixar de ser, vários spoilers.

O filme é bom, apesar de toda a glorificação do estúpido american way of life, o qual é presente na grande maioria dos filmes norte-americanos. Passando por cima disso, ressalta-se a mensagem maior do filme: a possibilidade do crescimento, a possibilidade da felicidade humana só pode ser alcançada a partir de si mesmo, da busca interior e da descoberta de que a verdadeira felicidade reside no seu próprio crescimento. Foi assim com o personagem principal John (Mark Wahlberg), o qual, em certo momento do filme, ao atribuir a causa de sua infelicidade ao seu ursinho Ted, escuta deste que jamais ele o obrigava a fazer o que não queria; enfim, todas as atitudes imaturas de John ocorriam por sua livre escolha, frutos de seu livre arbítrio (de sua história pessoal, de suas determinações inconscientes, enfim, de sua psyche).

E é assim com todos nós. Por vezes, procuramos atribuir nossas infelicidades a causas além de nosso controle, quando na maioria das vezes somos nós mesmos que determinamos o rumo de nosso sucesso ou fracasso. Somos nós, através das escolhas que fazemos, que determinamos nosso destino. Por certo, haverão sempre fatores extrínsecos que fugirão a nossa escolha (a escolha do outro, o clima, o devir histórico, dentre outros) mas minha reação a esses acontecimentos é determinado por minha escolhas, a qual serão feitas a partir de uma história de vida.

Lori (Milla Kunis), namorada de John, assume no filme a posição de função paterna, de interdição, de lei; a ela cabe o rompimento do vínculo entre John e seu ursinho de infância, para que assim John possa finalmente, aos 35 anos de idade, deixar de ser criança e adentrar a vida adulta. Posteriormente, no final do filme, ela passa a assumir também a função materna, quando John, maduro, lamentando a perda de seu ursinho, o tem de volta pela intervenção de Lori, a qual com seu desejo, revive Ted (“dá a vida”). Assim, o vínculo entre John e Ted não é rompido pela “morte” de Ted mas pela escolha de John em adentrar a vida adulta através de um relacionamento maduro com Lori.

Donny (Giovanni Ribsy) vive no filme um pai que, na infância, ao acompanhar John e Ted (ao contrário de outros “contos de fadas”, a “vida” de Ted no filme é pública e notória, tendo o mesmo aparecido em programas de televisão, revistas, etc) se torna fã de Ted. Deseja ter um ursinho mágico como Ted, mas tem seu desejo bloqueado por seu pai. Resolve então que, quando ele próprio tivesse um filho, jamais diria não ao mesmo. Desenvolve assim relação de dependência com seu filho, buscando alcançar sua própria felicidade através da identificação com seu filho, projetando-se nele (não negarei nada a meu filho como meu pai me negou/dessa forma serei eu próprio feliz/alcançarei minha felicidade através da felicidade de meu filho/não digo não ao meu filho não digo não a mim mesmo). Donny chega ao ponto de raptar Ted para se satisfazer/satisfazer seu filho.

Enfim, há muitas vias de análise possíveis; permanece o fato de, além do profundo conteúdo, o filme ser muito engraçado; como no momento em que, ao Ted procurar emprego, ele xingar seu entrevistador e este contratá-lo por sua coragem; posteriormente, Ted relaciona-se com sua colega de trabalho, seu patrão o flagra e o promove. Ted o questiona: “Cara, você deve ter muitos problemas!”. O humor de Ted é sempre ácido e certeiro.

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