Somos ação, não estado.

Somos ação, não estado. Somos, e não simplesmente estamos sendo. Não se pode julgar uma pessoa baseado em especulações do que ela é por aquilo que demonstrou ser, pois o que ela é verdadeiramente, ou seja, sua essência, é mais do que o percebido.
Não somos o que demonstramos, mas o que demonstramos revela algo do que somos. Nossa essência está em contínua formação e, enquanto existirmos, ela continuará a se formar.

Singela ciência singela

A beleza da folha da árvore
Balançada pelo vento…

A leveza do pássaro
Batendo suas asas…

A ternura da criança
Que brinca com seu cão…

Que ciência há nisso?
Que verdade, qual profundidade?
O que há ali para ser descoberto,
Ou entendido?
O que se entende
Do que se vê?

A verdade
Da folha da árvore
Do pássaro
Da criança
É que ali não há a nossa verdade,
Nossa ciência e
Nossa profundidade.

A ciência que há
A verdade e
A razão
Não são
Aquelas que eu mesmo dou.

Pois se posso explicar o mesmo comportamento, fenômeno, objeto
Enfim
A mesma coisa
Através de
Complexos edípicos, recalque, gestalts, sistemas, reforço operante, estímulo discriminativo, conseqüência, resposta, inconsciente, contingência, transferência, comportamento operante, respondente, neurose, psicose, eventos privados
Já não explico
A coisa (ou comportamento, ou fenômeno, ou objeto…)
Explico apenas
Minha própria racionalização (ou talvez nem mesmo ela…).

A verdade, a razão e a ciência
Da folha da árvore
Do pássaro
E da criança
São sua
Beleza
Leveza
E ternura.

Infinito vazio

Porque frequentemente não estamos satisfeitos com o que temos? Porque somos tão insaciáveis? Porque sempre queremos mais?
Porque tudo o que temos, em última instância, é nada.
Se algo que tivéssemos, por mais ínfimo que fosse, realmente constituísse alguma coisa, estaríamos satisfeitos.
Assim é quando tudo é nada.

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O número Zero não tem valor; simboliza o nada (a palavra zero é derivada do árabe çifa, que significa vazio). Todavia, se refletirmos um pouco mais, constataremos que trata-se de um número paradoxal: multiplica por dez os números colocados à sua esquerda.
Seu formato remete ao uróbolo, a serpente (ou dragão) que morde a própria cauda, simbolizando a infinitude, o eterno retorno.
O Um simboliza o início, o princípio. É do Um que derivam todos os números, e todos os números podem ser reduzidos ao Um. Simboliza o homem em pé, ativo, forte, senhor de si; é símbolo fálico. No monoteísmo, simboliza o Deus único, absoluto.
O Zero e o Um podem ser início, mas também podem ser fim (o Um é algo; o Zero é algo que simboliza o nada. Não é o Nada, pois é um número; enfim, é alguma coisa).
Na modernidade, Zero e Um compõem toda a linguagem dos computadores, denominado código binário; portanto, o que você lê agora, caro leitor, resume-se em 0 e 1 …

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Ted (2012) – Análise do filme

Somente hoje assisti ao filme Ted (2012). Havia muito tempo que tinha comprado mas nunca havia assistido. Compartilho aqui minhas impressões a respeito do filme. Se você não assistiu ainda, advirto que você encontrará aqui, como não poderia deixar de ser, vários spoilers.

O filme é bom, apesar de toda a glorificação do estúpido american way of life, o qual é presente na grande maioria dos filmes norte-americanos. Passando por cima disso, ressalta-se a mensagem maior do filme: a possibilidade do crescimento, a possibilidade da felicidade humana só pode ser alcançada a partir de si mesmo, da busca interior e da descoberta de que a verdadeira felicidade reside no seu próprio crescimento. Foi assim com o personagem principal John (Mark Wahlberg), o qual, em certo momento do filme, ao atribuir a causa de sua infelicidade ao seu ursinho Ted, escuta deste que jamais ele o obrigava a fazer o que não queria; enfim, todas as atitudes imaturas de John ocorriam por sua livre escolha, frutos de seu livre arbítrio (de sua história pessoal, de suas determinações inconscientes, enfim, de sua psyche).

E é assim com todos nós. Por vezes, procuramos atribuir nossas infelicidades a causas além de nosso controle, quando na maioria das vezes somos nós mesmos que determinamos o rumo de nosso sucesso ou fracasso. Somos nós, através das escolhas que fazemos, que determinamos nosso destino. Por certo, haverão sempre fatores extrínsecos que fugirão a nossa escolha (a escolha do outro, o clima, o devir histórico, dentre outros) mas minha reação a esses acontecimentos é determinado por minha escolhas, a qual serão feitas a partir de uma história de vida.

Lori (Milla Kunis), namorada de John, assume no filme a posição de função paterna, de interdição, de lei; a ela cabe o rompimento do vínculo entre John e seu ursinho de infância, para que assim John possa finalmente, aos 35 anos de idade, deixar de ser criança e adentrar a vida adulta. Posteriormente, no final do filme, ela passa a assumir também a função materna, quando John, maduro, lamentando a perda de seu ursinho, o tem de volta pela intervenção de Lori, a qual com seu desejo, revive Ted (“dá a vida”). Assim, o vínculo entre John e Ted não é rompido pela “morte” de Ted mas pela escolha de John em adentrar a vida adulta através de um relacionamento maduro com Lori.

Donny (Giovanni Ribsy) vive no filme um pai que, na infância, ao acompanhar John e Ted (ao contrário de outros “contos de fadas”, a “vida” de Ted no filme é pública e notória, tendo o mesmo aparecido em programas de televisão, revistas, etc) se torna fã de Ted. Deseja ter um ursinho mágico como Ted, mas tem seu desejo bloqueado por seu pai. Resolve então que, quando ele próprio tivesse um filho, jamais diria não ao mesmo. Desenvolve assim relação de dependência com seu filho, buscando alcançar sua própria felicidade através da identificação com seu filho, projetando-se nele (não negarei nada a meu filho como meu pai me negou/dessa forma serei eu próprio feliz/alcançarei minha felicidade através da felicidade de meu filho/não digo não ao meu filho não digo não a mim mesmo). Donny chega ao ponto de raptar Ted para se satisfazer/satisfazer seu filho.

Enfim, há muitas vias de análise possíveis; permanece o fato de, além do profundo conteúdo, o filme ser muito engraçado; como no momento em que, ao Ted procurar emprego, ele xingar seu entrevistador e este contratá-lo por sua coragem; posteriormente, Ted relaciona-se com sua colega de trabalho, seu patrão o flagra e o promove. Ted o questiona: “Cara, você deve ter muitos problemas!”. O humor de Ted é sempre ácido e certeiro.

Futuro ou Ilusão? Psicanálise, religião e mística – Freud e Bion

Segue em anexo cópia de minha monografia de conclusão do curso de Especialização em Teoria Psicanalítica, “FUTURO OU ILUSÃO? PSICANÁLISE, RELIGIÃO E MÍSTICA”.

Futuro ou ilusão – MONOGRAFIA FINAL PDF

Abaixo, o resumo da monografia.

“Este trabalho analisa o conceito de religião na obra de Sigmund Freud e o conceito de mística na obra de Wilfred Bion. O trabalho é feito por meio de pesquisa bibliográfica da obra freudiana e bioniana, bem como de comentadores destes dois teóricos. Busca-se analisar os conceitos de religião e mística na história, ressaltando a religião e mística cristãs, traçando um paralelo entre a teorização psicanalítica de Freud a respeito de religião e a teorização psicanalítica que Bion vai fazer a respeito da mística, acreditando que entre estes teóricos existem fortes pontos de contato no que se refere à visão de ambos dos conceitos de religião e mística. Observa-se que tais contribuições podem nos ajudar a quebrar paradigmas a respeito de como a psicanálise entende a religião e a mística. Entendemos que tanto a religião quanto a mística podem auxiliar o conhecimento psicanalítico em seu desenvolvimento enquanto ciência”.

Sobre as manifestações ocorridas e em processo por todo o Brasil nesse efervescente ano de 2013 (II)

As manifestações continuam sempre com mais e mais força. Na mídia, o que é amplamente divulgada são os casos de violência e depredação ao patrimônio público. Urge, no entanto, a questão: por qual motivo as manifestações tem tomado esse rumo?

Assisti recentemente o vídeo de um pai revoltado com a declaração do ex-jogador de futebol Ronaldo. Ronaldo declarou que “não se faz Copa do Mundo com hospitais e sim com estádios”. O pai de família então se revolta e em seu vídeo expõe sua filha, a qual demonstra grave problema de saúde pela ineficácia de um sistema de saúde falido.

Qual deve ser a prioridade de um governo? Para eles, o econômico, o benefício próprio em primeiro lugar e de seus agentes financiadores. O povo brasileiro, povo manso, pacato, avesso a manifestações públicas e revoltas populares, fica em último lugar na lista de prioridades.

Mas aí o povo resolve dar um basta. Resolve tomar a voz e gritar a plenos pulmões: BASTA! Não queremos mais ser manipulados! Não queremos mais ser enganados! Não queremos ter nossas prioridades invertidas, de hospitais e escolas a estádios. Para a organização popular, foi de fundamental importância a comunicação entre os insatisfeitos, e aí o facebook entrou como peça importantíssima, por promover o diálogo e a livre troca de idéias. A mídia reage, manipulando vigorosamente, promovendo uma deturpação de valores (onde os R$ 0,20 são a única reivindicação da população) e incitando a separação da massa entre “vândalos” (os mais exaltados) e os “manifestantes” (os que protestam pacificamente).

Não pretendo aqui fazer uma ode à violência, mas é singular que a maior parte das grandes revoltas populares só foram eficazes com a utilização da força e por meios violentos, como o primeiro estágio da Revolução Russa feita com o apoio de camponeses, a Revolução do estudantes franceses em maio de 1968,  a Guerra Civil Espanhola e a Revolução Cubana. Uma opção a esta prática seria a Resistência Passiva, marcada pelos atos de Mohandas Karamanchand Gandhi e de Martin Luther King, que consistem na desobediência civil e na resistência pacífica às autoridades. Esta última parece ser o tipo de atitude almejada pela maioria da população e propagada pela mídia como manifestação pacífica.

Entretanto, creio que a violência tomará a frente das manifestações sempre que o povo não for ouvido; estes então, no afã de se fazerem ouvir, recorrerão à força, ao quebra-quebra, como um filho que berra para ser ouvido pelo pai. Se o governo quiser verdadeiramente dar fim ao levante popular, será necessário ouvir e atender o povo; negociar. Será a democracia verdadeiramente dita, tão propalada e tão ausente. Terá o governo capacidade e coragem, neste momento ímpar da história, para tomar tal atitude? Só o tempo dirá.