Sobre as manifestações ocorridas e em processo por todo o Brasil nesse efervescente ano de 2013 (II)

As manifestações continuam sempre com mais e mais força. Na mídia, o que é amplamente divulgada são os casos de violência e depredação ao patrimônio público. Urge, no entanto, a questão: por qual motivo as manifestações tem tomado esse rumo?

Assisti recentemente o vídeo de um pai revoltado com a declaração do ex-jogador de futebol Ronaldo. Ronaldo declarou que “não se faz Copa do Mundo com hospitais e sim com estádios”. O pai de família então se revolta e em seu vídeo expõe sua filha, a qual demonstra grave problema de saúde pela ineficácia de um sistema de saúde falido.

Qual deve ser a prioridade de um governo? Para eles, o econômico, o benefício próprio em primeiro lugar e de seus agentes financiadores. O povo brasileiro, povo manso, pacato, avesso a manifestações públicas e revoltas populares, fica em último lugar na lista de prioridades.

Mas aí o povo resolve dar um basta. Resolve tomar a voz e gritar a plenos pulmões: BASTA! Não queremos mais ser manipulados! Não queremos mais ser enganados! Não queremos ter nossas prioridades invertidas, de hospitais e escolas a estádios. Para a organização popular, foi de fundamental importância a comunicação entre os insatisfeitos, e aí o facebook entrou como peça importantíssima, por promover o diálogo e a livre troca de idéias. A mídia reage, manipulando vigorosamente, promovendo uma deturpação de valores (onde os R$ 0,20 são a única reivindicação da população) e incitando a separação da massa entre “vândalos” (os mais exaltados) e os “manifestantes” (os que protestam pacificamente).

Não pretendo aqui fazer uma ode à violência, mas é singular que a maior parte das grandes revoltas populares só foram eficazes com a utilização da força e por meios violentos, como o primeiro estágio da Revolução Russa feita com o apoio de camponeses, a Revolução do estudantes franceses em maio de 1968,  a Guerra Civil Espanhola e a Revolução Cubana. Uma opção a esta prática seria a Resistência Passiva, marcada pelos atos de Mohandas Karamanchand Gandhi e de Martin Luther King, que consistem na desobediência civil e na resistência pacífica às autoridades. Esta última parece ser o tipo de atitude almejada pela maioria da população e propagada pela mídia como manifestação pacífica.

Entretanto, creio que a violência tomará a frente das manifestações sempre que o povo não for ouvido; estes então, no afã de se fazerem ouvir, recorrerão à força, ao quebra-quebra, como um filho que berra para ser ouvido pelo pai. Se o governo quiser verdadeiramente dar fim ao levante popular, será necessário ouvir e atender o povo; negociar. Será a democracia verdadeiramente dita, tão propalada e tão ausente. Terá o governo capacidade e coragem, neste momento ímpar da história, para tomar tal atitude? Só o tempo dirá.

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